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Tem um touro vermelho no meu estádio!

Tem um touro vermelho no meu estádio!

O valor da estética histórica em paralelo com o novo panorama de mercado do futebol.

Ah, meu amigo, se tem uma coisa que o futebol adora é uma boa polêmica, e a compra do Bragantino pela Red Bull foi como um soco na boca do adversário no meio da área: inesperado e deixando todo mundo de queixo caído. 

Agora, cá entre nós, alguém tinha ideia de que um time do interior de São Paulo ia parar nas mãos de uma empresa de energéticos? Pois é, nem nos melhores devaneios futebolísticos isso passaria pela cabeça de alguém.

O “Massa Bruta” foi fundado em 1928 após uma dissidência do clube principal de Bragança paulista, o “Bragrança Football Club”, e logo tomou conta da cena do futebol da cidade, se tornando posteriormente o único time profissional da cidade. 

O clube que manda seus jogos no clássico estádio “Nabi Abi Chedid” já teve muitas glórias na sua história, e nas décadas de 1980-1990 ganhou diversos títulos, projetando diversos atletas e treinadores, como Mauro Silva, Gil Baiano, o pofexô Vanderlei Luxemburgo e Carlos Alberto Parreira. 

Essa época ficou conhecida como os “anos dourados“ do clube, que culminou com a conquista do Campeonato Paulista no ano de 1990. Após esse tempo, o clube teve algumas pendengas e acabou sofrendo rebaixamentos, porém nunca deixou de formar jogadores e seguir seus caminhos apesar de diversas crises financeiras. E no ano de 2019 tudo mudou, pois o clube acabou sendo comprado pela Red Bull.

Eu como um torcedor de um time do interior, não tenho como não ficar com o coração na mão e me correlacionar com essa mudança através de alguns questionamentos. 

A primeira coisa que me vem à mente é a mudança estética. Aquele uniforme tradicional, o Carijo, que mais parecia um código de barras de boteco, deu lugar a algo que parece ter sido desenhado por um designer que teve overdose de latas de Red Bull. 

Cores vibrantes, logotipos reluzentes, parece que o time agora vai entrar em campo e distribuir enérgicos em vez de passes.

Tem um touro vermelho no meu estádio!

Camisa Carijó – Bragantino anos 90.

Tem um touro vermelho no meu estádio!

Camisa RB Bragantino – 2020.

E o nome, né? Bragantino virou RB Bragantino. Parece até sigla de alguma doença tropical, mas na verdade, é só a mistura de Red Bull com Bragantino. 

Já imaginou o torcedor falando “Vai RB Bragantino!“?

Parece que tá pedindo pra ser confundido com algum clube de futebol fictício de algum videogame.

Mas vamos além das mudanças visuais. O que mais me incomoda é a questão simbólica. 

Antes, o Bragantino era daqueles times que davam esperança ao torcedor, que enchia o peito de orgulho por ter um clube do interior pra chamar de seu. Sabe aquela sensação de heroísmo que só o futebol pode te proporcionar? Agora virou uma espécie de filial energizada da Red Bull, como se a identidade do time tivesse sido atropelada por uma lata de energético em alta velocidade.

E por óbvio, a torcida tem ainda muita resistência com toda essa mudança, tanto é que seus mantos, bandeiras e trapos seguem sendo remetentes a antiga identidade do clube. 

Onde foram parar as nossas cores? Onde foi parar o nosso escudo? Onde foi parar a nossa história?” Eu sinceramente estaria me perguntando isso até agora se fosse um torcedor do braga.

Tem um touro vermelho no meu estádio!

Torcida do braga no fundo com seus mantos monocromáticos, como a identidade antiga do time.

E o futebol, meu caro, é cheio de tradição, de histórias que são passadas de geração em geração. A Red Bull chegou como um furacão, mudou tudo, e eu fico aqui me perguntando se isso não é um atestado de óbito para a autenticidade dos clubes e o futebol do jeito que nós aprendemos a amar. 

Já pensou se você construísse um layout de um catálogo, com conceito amarradinho, cores que representam uma lógica e uma formatação de texto coerente, e do nada, vem alguém e diz pra você mudar tudo isso porque sim. (isso nunca acontece né? kkkkkkkk). 

É uma analogia escalonada, claro, porém acredito que funcione da mesma forma.

Por fim, o que fica é o clube atualmente brigando por títulos e alçando sim voos mais altos, porém, será que é sobre isso? Futebol é sobre ganhar? 

Eu já acho que não, o futebol é um romance, que muitas vezes é trágico, e sem uma estética coerente, que represente o que cada clube é no seu âmago, ele deixa de ser interessante, envolvente e apaixonante.

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