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A pandemia e o valor das marcas

A pandemia e o valor das marcas

O que muda no mercado global com a pandemia em tempos de redes sociais?

Em 13 de setembro de 1970, Milton Friedman – vencedor do prêmio Nobel de Economia – trouxe a público, por meio da The New Yorks Magazine, seu artigo de maior notabilidade: “A responsabilidade social das empresas é aumentar seus lucros”, ensaio que defendia como principal objetivo de uma empresa a maximização do retorno para os seus acionistas. Ovacionado pela crítica da época, o pensamento de Friedman espalhou-se rapidamente, tornando-se uma espécie de “guia” para os CEOs e suas tomadas de decisões nas décadas seguintes.

Meio século após a publicação do artigo, podemos perceber que os argumentos de Friedman já não cabem mais no modelo de mercado que vemos hoje. Com o crescimento exponencial da internet e a aproximação do consumidor com as marcas e seus serviços/produtos, vemos grandes corporações se transformando diariamente para melhor se conectar com os seus consumidores.

Campanhas de cunho social e de aproximação da marca para com o seu consumidor começaram a roubar o espaço antes destinado majoritariamente à venda, e surgiram mais ações como a polêmica campanha de Dia dos Namorados “Casais”, da Boticário, criada pela AlmapBBDO e lançada no dia 01/06/15, que continha um beijo de um casal homoafetivo em suas cenas, e acabou gerando uma repercussão gigante entre os homofóbicos descontentes com a campanha e os consumidores da Boticário defendendo a marca nas redes sociais. Repercussão essa que, devido às suas proporções adicionadas ao fato da marca ter sido tão defendida pelos fãs, mostrou ao mercado brasileiro a importância da criação desse vínculo com o público.

“Conteúdo constrói relacionamentos. Relacionamentos são baseados em confiança. Confiança gera receita.”

Andrew Davis

Hoje, com o surgimento da pandemia pela Covid-19, a internet não só ganhou mais força enquanto veículo de comunicação, como também trouxe uma maior exposição dos ideais de algumas empresas que, quando não correspondem mais às expectativas dos consumidores, são agora cobradas por um posicionamento mais “humanitário”. Além de mudanças estruturais e de posicionamento no mercado como os exemplos das Casas Bahia e do Burguer King, que adaptaram a sua identidade para se conectar melhor ao público, grandes nomes vêm apostando forte em uma comunicação mais direta com o seu consumidor e investindo em ações de valorização dos funcionários e da própria marca, como o iFood que dobrou o valor das gorjetas no período de abril a junho de 2020, além de investir mais de R$ 35 milhões em medidas de proteção e prevenção do vírus para seus entregadores, ação essa que além de fortalecer o contato com os consumidores, contribuiu para um crescimento de mais de 50% nos pedidos da empresa em outubro, chegando à marca de 44,6 mi de entregas mensais. Por outro lado, vimos também como uma marca pode acabar “manchando” sua reputação em tempos de redes sociais, como foi o caso da hamburgueria Madero, que teve uma queda de 25% nas vendas após seu presidente Junior Durski publicar um vídeo dizendo que “a economia do país não deveria parar por 5 ou 7 mil mortes”, e ser rechaçado na internet.

A pandemia e o valor das marcas
https://entregador.ifood.com.br/covid-19-nossa-entrega/

Este fenômeno global dá-se ao surgimento do marketing 4.0 que, como no caso do marketing 3.0, além de brigar não só pela visibilidade no mercado, mas também pela qualidade final de seus serviços e produtos, tem também como objetivo gerar significado e agregar valor real à vida dos seus consumidores, fazendo eles se sentirem parte da marca.

Assim, essa nova cultura permite que qualquer pessoa consuma o conteúdo que desejar, pesquise informações sobre produtos e marcas e opiniões de outros consumidores sobre a qualidade e  confiabilidade das empresas, e possivelmente, esta transformação mundial deixe de ser uma reação à pandemia e torne-se o novo normal, afinal o mercado precisa atender o público, e não o contrário.

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