Se, quando entrei de cabeça nesse projeto de vida que é o Panda, eu tivesse escrito uma carta lançando minhas expectativas e como imaginaria que seria depois de vinte anos (se o Panda estaria ativo, se o nosso trabalho ainda seria bom, original, criativo e estivesse por trás do sucesso de muitas outras empresas, se tivesse dado o retorno financeiro esperado ou, ainda, se comunicar com paixão continuaria fazendo a diferença para mim) e colocado essa carta em uma cápsula do tempo para abrir agora, acredito que hoje seria uma interessantíssima e inocente leitura.
Hoje, o mercado não é o mesmo.
A cultura é totalmente diferente.
A dinâmica e a velocidade são vertiginosamente maiores.
O perfil dos profissionais e os valores também mudaram.
Quando “trabalhar por pizza” era o caminho para ter a oportunidade de trabalhar com grandes clientes e desenvolver um portfólio robusto, isso era encarado como um passo para alcançar status profissional e reconhecimento. Hoje, cada vez mais, percebo que os bônus parecem precisar vir antes das entregas reais.
Desde o início, o Panda foi estratégico, espartano e compreendeu que, para ter relevância e propriedade, era preciso ser validado. Eu sempre soube que primeiro é preciso entregar para, depois, poder ter propriedade. E isso mostrou ser o caminho correto. Não o mais fácil, nem o mais rápido. Mas o caminho a ser seguido.
Eu não estou aqui para cagar regra nem dizer o que se deve ou não fazer para conseguir alcançar 20 anos na gestão de uma empresa no Brasil. Estou refletindo e expondo o meu ponto de vista e as escolhas que tive que fazer para ter orgulho dessa trajetória.
Quase nunca escrevo artigos em primeira pessoa… Mas acho que, a cada duas décadas, posso fazer isso vez ou outra. Estou me dando o direito de refletir de maneira aberta e sincera sobre a saga que vem sendo essa rica aventura, que chega a essa significativa marca de duas décadas.
O Panda nunca foi só sobre estratégia, layouts caprichados, conceitos fortemente embasados e criatividade. Até porque, mais do que nunca, isso não é diferencial. Hoje, percebo que são três os pilares que fazem uma empresa de comunicação (ou qualquer outro empreendimento) ser sustentável.
O primeiro é a sutil e dificílima arte de saber gerir aquilo que faz uma empresa: pessoas.
Uma empresa que necessita de diversas habilidades, diferentes tipos de entrega e várias etapas de processo até chegar ao resultado final não é feita por uma só pessoa – e olha que, por muitos anos, tentei resolver tudo sozinho.
Assim, a gestão de pessoas passa a ser o primeiro e, talvez, o mais complexo desafio. Aqui entram equipe, clientes e parceiros. Todos têm a sua realidade, suas prioridades e suas percepções. Ninguém é obrigado a vestir a camisa nem a ter a mesma paixão ou as mesmas convicções que eu sobre o negócio. Mas estamos falando de profissionalismo. E o profissional precisa se dedicar para tentar entregar o que foi acordado.
Equilibrar e compreender isso é difícil e exige muita empatia da gestão. Esse é o principal aspecto que me faz procurar, desde sempre, manter a estrutura do Panda compacta. Dessa maneira, posso, dentro do possível, acompanhar e tentar entender a realidade de todos para tornar mais clara toda tomada de decisão. Procuro ter proximidade suficiente para entender cada realidade e tentar extrair ao máximo aquilo que se pode entregar e que, ao mesmo tempo, esteja dentro dos valores da empresa.
Quem faz são pessoas, sim. Mas, no final, quem entrega é o Panda.
O segundo pilar é construir e manter a confiança. E a confiança real vem após momentos em que a entrega é posta à prova. Sejam problemas a serem resolvidos, crises que precisam ser contornadas ou simplesmente a confirmação das expectativas geradas.
Confiança sem resolução de desafios é inocência.
O primeiro desafio, tanto na gestão de pessoas quanto na entrega aos clientes, é passar por esse período inicial de validação o mais rápido possível, sem comprometer o que é necessário para a entrega.
Por diversas vezes, o início dessa relação vem carregado de experiências. Algumas delas não muito positivas. Fornecedores que não entregam, desacordos contratuais, entregas malfeitas e até mesmo prejuízos.
E a validação só vem com o tempo. Porque é o tempo que traz consigo os desafios. E esse período inicial – entre a desconfiança e a expectativa – é o mais importante para cimentar o caminho que o Panda procura construir para tornar toda relação longeva.
A partir do momento em que a equipe sabe que a gestão está ao seu lado (não à frente nem atrás, ao lado) e que o cliente percebe que somos um fornecedor parceiro, que está ali para ajudar a resolver e não para dar mais dor de cabeça, o foco passa a ser o trabalho e a entrega.
E é exatamente aqui que reside mais um grande desafio: toda relação longa precisa de conquistas permanentes. Toda campanha, toda entrega define uma régua que eleva o nível da próxima. E, para isso, não tem segredo: proximidade, conversa, não deixar de perguntar, interessar-se genuinamente e atualizar constantemente nosso “banco de dados” e nossas referências, para que o cliente perceba que o Panda vai resolver. Sempre.
Para o Panda, a entrega é tão ou mais importante que o lado financeiro. Afinal, é a qualidade do que entregamos e o quanto isso será importante para o cliente que formarão o portfólio que utilizamos para validar nosso trabalho perante o mercado e que ajudará nosso cliente a prosperar.
Se o cliente sangra, a gente sangra. Se ele prospera, a gente prospera. É mais do que um contrato de entrega, é uma relação simbiótica de crescimento.
E o terceiro, e não menos importante, pilar é procurar sempre o equilíbrio.
Equilíbrio entre a dificuldade permanente de procurar saber fazer o que é certo (que quase nunca é o caminho mais fácil), compreender a realidade de todos os agentes dessa equação, manter sempre à frente os propósitos do Panda e os objetivos dos clientes e, ao mesmo tempo, fazer o negócio sustentar todos que estão orbitando ao seu redor. Porque, no final, todos sabemos que “money talks”.
Como tudo na vida, o segredo é sempre o equilíbrio.
Compreender, mas ser compreendido.
Entregar, mas receber para isso.
Pagar e também receber por isso.
Sim, é assim. Queiram ou não.
Durante esses 20 anos, a única coisa que se manteve imutável foi a busca constante por esse equilíbrio, sem perder a ternura, a curiosidade e o que eu gosto de chamar de “romantismo” pela arte de comunicar.
Ser o agente que é a casa de muitos profissionais e a voz e os ouvidos de inúmeros clientes que passaram por aqui, ainda é a grande motivação que me faz olhar para trás e, com um leve e nostálgico sorriso, saber que tudo o que aconteceu trouxe a bagagem que torna essa viagem uma aventura. E que ela só está começando.
Espero, daqui a 20 anos, ainda estar dissertando e confidenciando a vocês com o mesmo brilho nos olhos e com a mesma alegria de 13 de agosto de 2006.
Panda.
Branding e Orgulho Preto no Branco.