A dica da vez é o mangá Homunculus, do criador Hideo Yamamoto, que é uma daquelas obras curiosas, com um primeiro arco muito‘’esquisito’’, misturando muito suspense psicológico, terror, drama pessoal, reviravoltas, mergulhando fundo na fragilidade da mente humana e na distorção da percepção da realidade.
Todos esses temas geram uma mistura única, estranha, intrigante e rica que me prendeu como há muito tempo não acontecia.
Lembrando que estou indicando o mangá, e não o filme de 2021, esse você apenas passa.
A história começa com Susumu Nakoshi, um homem de meia-idade, que está vivendo em um parque junto a outros moradores de rua, e que entre histórias contadas e risadas soltas, parece ter algum incômodo que o faz sentir vazio, sem um propósito.
Nakoshi, diferente dos outros, dorme dentro de um carro, o qual parece ter alguma ligação também. Ele parece entender esse carro, com uma intuição um pouco diferente do normal.
Certo dia, Nakoshi é abordado por um sujeito chamado Manabu Itō, um jovem estudante de medicina, cheio de piercings e tatuagens pelo corpo, que percebe a sua situação e oferece uma boa quantia de dinheiro para que Nakoshi seja sua cobaia num experimento estranho, conhecido como trepanação, que consiste em fazer um buraco no crânio da pessoa, sob a crença de que liberaria uma maior capacidade do cérebro humano.
Nakoshi aceita a grana e faz o procedimento, que abre um pequeno buraco na sua testa, gerando inclusive essa imagem marcante do mangá: um homem de terno caro, surrado, usando um gorro para esconder o curativo na sua cabeça.
Logo após o procedimento, nada acontece, no entanto, algumas páginas adiante, Nakoshi passa a enxergar distorções bizarras nas pessoas ao seu redor, uma parecendo feita de papel, outra feita de água, outra parecendo uma planta e por aí vai…
Aqui fica realmente difícil descrever qualquer dessas distorções, mas o mangá faz um trabalho artístico fenomenal nessa parte, com um traço e perspectivas realmente geniais, dando todo o tom pesado e estranho para cada cena.
Essas distorções que Nakoshi passa a ver, segundo Manabu, são ‘’homúnculos’’, representações mentais e simbólicas, que cada pessoa tem de si, podendo refletir seus traumas e emoções mais profundas, supostamente.
E este é o gancho, com a palavra SUPOSTAMENTE, pois tudo isso falado acima vai ter um desdobramento. Além de trazer mais questionamentos, vai dar reviravoltas (bizarras) e também abrir espaço para várias reflexões sobre nós mesmos, nossa maneira de viver, crenças, e afinal, sobre o que é nossa realidade.
Espero que essa obra mexa com você, pelo menos um pouquinho!